Misericórdia de Penafiel

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Edição n.º 40 Abril de 2019

Agenda

Qui. Jun. 06
Passeio a Ponte de Lima

Utentes da Instituição

Sex. Jun. 14
Desfile de Carneirinho

Creches/Infantário

Sáb. Jun. 15
Arraial de Santo António

Utentes, Funcionários e Irmãos da Instituição

Valências

Igreja da Misericórdia

Na realidade, o que se conhece por igreja da Misericórdia é um complexo em que a igreja é apenas mais um (se bem que o mais relevante) espaço. Ocupa um quarteirão no centro histórico de Penafiel, frente à Câmara Municipal.
Trata-se de um templo seiscentista de uma só nave e capela-mor coberta por abóbada de berço com caixotões. A sua construção marca um ponto importante na história da Santa Casa e de Penafiel.
O séc. XVII parece ter sido marcado para a Misericórdia de Penafiel como um período de grande expansão. A aprovação régia de 1614 com a concessão de privilégios, o incremento dos legados que tornariam a Instituição um potentado local em termos económicos, sociais e religiosos, levaram a uma sentida necessidade de dotar a Instituição de um novo e mais condigno templo, acomodado às exigências de uma Irmandade em crescimento.
Esta necessidade seria respondida pela benemerência do Abade Amaro Moreira, Irmão da Santa Casa e seu Provedor em 1627/28, que contratou com a Misericórdia a construção de um templo no rocio das chãs (onde hoje se encontra a igreja), da qual pagaria a capela-mor que seria sua sepultura e dos seus herdeiros. As obras da nova igreja começaram em 1621 e terão terminado em 1631, tendo Amaro Moreira acabado por se responsabilizar pela construção do conjunto da igreja, onde instituiu um importante legado de alma. Com esta construção ficou a Santa Casa dotada de um importante templo para o culto divino que promovia, rapidamente se assumindo como um dos principais (senão mesmo o principal) pólos religiosos locais. A escolha do rocio das chãs para a nova igreja marca o inicio de uma nova centralidade no lugar de Arrifana de Sousa, até então muito centrado na rua direita e na igreja matriz, transformando as chãs um espaço público privilegiado, que irá acolher, já no séc. XVIII, o nascente poder autárquico.
A igreja sofreu diversas alterações ao longo dos séculos XVII e XVIII, não só no interior da igreja (com a realização de sucessivos altares e retábulos em talha), mas também nos espaços que lhe ficam anexos e que alterariam a sua presença espacial.
A nascente, a igreja da misericórdia tem um pátio lajeado e fechado com gradeamento que é ladeado a norte pelo edifício do centro de convívio (antiga casa do celeiro) e do salão nobre da Santa Casa (antiga casa do despacho, coração administrativo da instituição durante séculos), e a sul pela sacristia, museu de Arte Sacra (antiga casa do sacristão) e uma divisão de acesso à igreja onde se encontra um lavatório de pedra ao serviço da sacristia.
A poente (na fachada do complexo virada para a Praça Municipal) encontra-se uma frontaria adossada ao templo e inacabada, em apurado estilo roccaille, cujas obras foram iniciadas em 1764 e interrompidas em 1769. Foram pagas pelas esmolas a Nossa Senhora da Lapa cujo culto, se bem que temporalmente reduzido, teve um importante expressão. Tendo esmorecido a devoção inicial, a solução encontrada foi a construção, junto da fachada inacabada, de uma pequena capela para Nª Sra. da Lapa, hoje dedicada a S. Cristóvão, que abre para a Praça Municipal e comunica com a igreja por uma porta.
No interior do templo podem-se hoje encontrar um conjunto de cinco altares e retábulos de talha neoclássicos (da passagem do séc. XVIII para o XIX), o cadeiral barroco e o órgão, cuja caixa de talha dourada e policromada pertenceu ao Mosteiro de Bustelo, de onde veio aquando da extinção das ordens religiosas.
A importância da igreja da Misericórdia de Penafiel entre os demais templos da cidade está atestada por um significativo facto histórico. Quando, na sequência da elevação a cidade, Clemente XIV cria a efémera diocese de Penafiel (1770-78) a igreja da Misericórdia foi a escolhida para funcionar como Sé do novo bispado, sob a invocação de S. José e Santa Maria. O fim da diocese devolve à igreja á sua função de sede espiritual da Misericórdia penafidelense, sem nunca, no entanto perder a relevância que faz dela um dos principais templos de Penafiel. A merecer uma visita.

Horário das Missas: Domingos e Dias Santos - 8h00