Misericórdia de Penafiel

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Edição n.º 37 Outubro 2017

Agenda

Qua. Nov. 22
Magusto no Lar de S. Martinho

Lar S. Martinho

Qua. Dez. 20
Festa de Natal da Instituição

Salão Polivalente

Dom. Dez. 24
Ceia de Natal

Lares da Instituição

Dom. Dez. 31
Ceia de Fim de Ano

Lares de Terceira Idade

Valências

Igreja da Misericórdia

Na realidade, o que se conhece por igreja da Misericórdia é um complexo em que a igreja é apenas mais um (se bem que o mais relevante) espaço. Ocupa um quarteirão no centro histórico de Penafiel, frente à Câmara Municipal.
Trata-se de um templo seiscentista de uma só nave e capela-mor coberta por abóbada de berço com caixotões. A sua construção marca um ponto importante na história da Santa Casa e de Penafiel.
O séc. XVII parece ter sido marcado para a Misericórdia de Penafiel como um período de grande expansão. A aprovação régia de 1614 com a concessão de privilégios, o incremento dos legados que tornariam a Instituição um potentado local em termos económicos, sociais e religiosos, levaram a uma sentida necessidade de dotar a Instituição de um novo e mais condigno templo, acomodado às exigências de uma Irmandade em crescimento.
Esta necessidade seria respondida pela benemerência do Abade Amaro Moreira, Irmão da Santa Casa e seu Provedor em 1627/28, que contratou com a Misericórdia a construção de um templo no rocio das chãs (onde hoje se encontra a igreja), da qual pagaria a capela-mor que seria sua sepultura e dos seus herdeiros. As obras da nova igreja começaram em 1621 e terão terminado em 1631, tendo Amaro Moreira acabado por se responsabilizar pela construção do conjunto da igreja, onde instituiu um importante legado de alma. Com esta construção ficou a Santa Casa dotada de um importante templo para o culto divino que promovia, rapidamente se assumindo como um dos principais (senão mesmo o principal) pólos religiosos locais. A escolha do rocio das chãs para a nova igreja marca o inicio de uma nova centralidade no lugar de Arrifana de Sousa, até então muito centrado na rua direita e na igreja matriz, transformando as chãs um espaço público privilegiado, que irá acolher, já no séc. XVIII, o nascente poder autárquico.
A igreja sofreu diversas alterações ao longo dos séculos XVII e XVIII, não só no interior da igreja (com a realização de sucessivos altares e retábulos em talha), mas também nos espaços que lhe ficam anexos e que alterariam a sua presença espacial.
A nascente, a igreja da misericórdia tem um pátio lajeado e fechado com gradeamento que é ladeado a norte pelo edifício do centro de convívio (antiga casa do celeiro) e do salão nobre da Santa Casa (antiga casa do despacho, coração administrativo da instituição durante séculos), e a sul pela sacristia, museu de Arte Sacra (antiga casa do sacristão) e uma divisão de acesso à igreja onde se encontra um lavatório de pedra ao serviço da sacristia.
A poente (na fachada do complexo virada para a Praça Municipal) encontra-se uma frontaria adossada ao templo e inacabada, em apurado estilo roccaille, cujas obras foram iniciadas em 1764 e interrompidas em 1769. Foram pagas pelas esmolas a Nossa Senhora da Lapa cujo culto, se bem que temporalmente reduzido, teve um importante expressão. Tendo esmorecido a devoção inicial, a solução encontrada foi a construção, junto da fachada inacabada, de uma pequena capela para Nª Sra. da Lapa, hoje dedicada a S. Cristóvão, que abre para a Praça Municipal e comunica com a igreja por uma porta.
No interior do templo podem-se hoje encontrar um conjunto de cinco altares e retábulos de talha neoclássicos (da passagem do séc. XVIII para o XIX), o cadeiral barroco e o órgão, cuja caixa de talha dourada e policromada pertenceu ao Mosteiro de Bustelo, de onde veio aquando da extinção das ordens religiosas.
A importância da igreja da Misericórdia de Penafiel entre os demais templos da cidade está atestada por um significativo facto histórico. Quando, na sequência da elevação a cidade, Clemente XIV cria a efémera diocese de Penafiel (1770-78) a igreja da Misericórdia foi a escolhida para funcionar como Sé do novo bispado, sob a invocação de S. José e Santa Maria. O fim da diocese devolve à igreja á sua função de sede espiritual da Misericórdia penafidelense, sem nunca, no entanto perder a relevância que faz dela um dos principais templos de Penafiel. A merecer uma visita.

Horário das Missas: Domingo e Feriados – 8h00 e 11h00